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A trajetória partidária

A ideologia que acompanhou a vida partidária de Sergio Arouca teve suas bases consolidadas durante sua adolescência, época em que o então estudante debatia as questões centrais do país sob uma perspectiva de esquerda, orientação política da qual nunca mais se afastou. Defensor do diálogo como caminho mais íntegro para se chegar à democracia, Arouca sempre foi contrário ao radicalismo, mesmo no período mais duro da repressão militar, quando algumas organizações esquerdistas optaram pela luta armada.

Na vida partidária experimentou vitórias e fracassos, optou por caminhos e alianças tidos por muitos de seus companheiros como equivocados e sintonizados com discursos reacionários, reviu posições, viu a utopia comunista desmoronar pelo mundo, mas defendeu com convicção até o fim da vida a necessidade de construção de uma sociedade mais igualitária, contra a exclusão de grande parte da população dos bens sociais, culturais e econômicos.

Arouca começou a militar no Partido Comunista Brasileiro (PCB) na década de 50 do século 20. Já na década de 60, incorporou-se à tarefa de lutar contra a ditadura por meios pacíficos, na batalha pela anistia política, pela liberdade de expressão e pela convocação da Assembléia Nacional Constituinte. Com a redemocratização do país na segunda metade da década de 80, Arouca teve uma atuação importante na defesa do acesso universal e gratuito aos serviços de saúde na Constituinte de 1987/88.

Nomeado presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 1985, o médico sanitarista afastou-se do cargo para concorrer à Vice-presidência da República pela chapa do PCB em 1989. Marcado por seu espírito inovador, defendeu durante a campanha a reforma tributária, que mais tarde entrou na agenda política do Brasil como uma prioridade nacional. O partido ficou em oitavo lugar na corrida presidencial daquele ano, com 1,06% dos votos válidos.

Em outubro do ano seguinte, o médico elegeu-se deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro na legenda do (PCB) com a expressiva votação de cerca de cem mil votos. Boa parte de seu eleitorado era composto por médicos, cientistas e acadêmicos que aprovavam sua atuação na defesa da saúde pública e da ciência e tecnologia. Naquela época o partido passava por uma reestruturação interna, o que culminou em sua cisão em 1992. Para substituir o PCB, surgiu o Partido Popular Socialista (PPS), com uma atuação caracterizada como de centro-esquerda.

Na legenda do PPS, Arouca concorreu ao cargo de vice-prefeito do Rio de Janeiro ao lado de Benedita da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), nas eleições de outubro de 1992. Apesar de ter saído na frente no primeiro turno, a coligação não conseguiu se eleger no segundo, por uma diferença de 15,2% dos votos, menor do que o percentual de abstenções (15,8%). Dois anos depois, o eleitorado fluminense elegeu novamente o médico como deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Em 1996, Arouca foi candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PPS, recebendo apoio do Partido Verde (PV). Sua última disputa a cargos eletivos ocorreu em 1998, quando concorreu à reeleição como deputado federal pelo Rio de Janeiro na legenda do PPS. Apesar de obter perto de 32 mil votos, o médico não conseguiu se eleger. Mas a rica vida partidária já estava escrita nas duas legendas pelas quais militou, o PCB e o PPS.



 

 

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