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Na presidência da Fiocruz

Em 1985, a eleição do mineiro Tancredo Neves para a Presidência da República marca o fim da ditadura e o início da redemocratização no país. Nessa época, explode nacionalmente uma mobilização iniciada no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), no Rio de Janeiro, pela candidatura de Sergio Arouca à presidência da Fiocruz. Tancredo não chega a assumir o governo. É internado na véspera da posse e morre 37 dias depois. O vice-presidente, José Sarney, mantém o ministério tal como indicara o político mineiro. No gabinete do novo ministro da Saúde, Carlos Sant´Anna, telegramas vindos de diversas instituições científicas pedem a nomeação de Sergio Arouca para a presidência da Fiocruz. Diante dos pedidos, Arouca assumiu o cargo em 3 de maio de 1985.

Durante sua administração, a Fiocruz passou por uma reestruturação interna que a aproximou do modelo de gestão democrática. A palavra de ordem era democratização. Nesse sentido, foram inauguradas unidades científicas voltadas para a difusão do conhecimento, da história da saúde pública e da educação. Também é redefinido o papel da Associação de Servidores da Fiocruz (Asfoc) A Associação dos Servidores da Fundação Oswaldo Cruz (Asfoc) foi fundada em julho de 1978, com o objetivo de representar os trabalhadores da Fiocruz em suas reivindicações, além de integrar a comunidade interna por meio de atividades esportivas e sociais. Até 1986, os diretores eram nomeados pela presidência da instituição. A história vai mudar graças ao processo de democratização que se seguiu ao fim da Ditadura Militar - com a implantação de um modelo de gestão participativa na instituição, os servidores conquistam o direito de eleger os diretores de sua entidade representativa.
Hoje em dia a Asfoc concentra sua atuação na área sindical, defendendo a valorização da área de ciência e tecnologia (C&T) e buscando benefícios concretos para os servidores. A Associação faz parte do Fórum de Entidades Sindicais de C&T, luta pelo reconhecimento da carreira de C&T como exclusiva de Estado e pela valorização das instituições da área.
que passa a ser uma instância de representação dos servidores junto à direção, e são criados espaços como a creche Idealizada em 1986(bem antes de se tornar dever de Estado, segundo a Constituição de 1988), a creche Bertha Lutz, após período de idealizações e construção, foi inaugurada em 14 de setembro de 1989. Seguindo os princípios que nortearam a criação da primeira, em 22 de setembro de 1990, uma segunda creche, com o nome de Conta um Conto, é inaugurada no Instituto Fernandes Figueira. Ambas têm como objetivos atender os filhos dos servidores que trabalham na Fiocruz durante sua jornada de trabalho, garantir o bem-estar da criança, valorizando suas diversas formas de relacionar-se com os outros, ouvir e orientar a família, desenvolver atividades pedagógicas, de ensino e de pesquisa voltadas para a educação infantil e saúde da criança de 0 a 6 anos e formar um Conselho Consultivo de Pais, com mandato de um ano. , o Centro de Saúde do Trabalhador O Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh), pertencente à Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foi implantado em 10 de dezembro de 1985, e tem por objetivos básicos formar recursos humanos para a área (por meio de cursos de especialização, mestrado e doutorado), desenvolver estudos e pesquisas sobre a relação trabalho, saúde e ambiente e desenvolver atividades de cooperação técnica, principalmente junto às secretarias de Saúde de estados e municípios, instituições técnico-científicas, sindicatos e ministérios públicos., o Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica do Instituto Oswaldo CruzA Divisão de Fisiologia e Farmacodinâmica do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) foi criada em 1919 e ganhou fôlego com a entrada de cientistas de peso, como Haity Moussatché e Tito Cavalcanti em 1934. Porém, em 1970, ambos acabaram cassados pela Ditadura Militar e a Divisão teve seus trabalhos encerrados. Somente em 1986 a Divisão seria reaberta, juntamente com a reintegração dos cassados no mesmo ano. Atualmente o Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica do IOC reúne os três laboratórios, sendo eles os de Inflamação, Toxicologia e Produtos Naturais, além dos núcleos de Imunofarmacologia e Farmacologia Neuro-Cardiovascular. , o Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves) Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves)O Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves) é parte da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), uma das unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foi criado em 1989 e realiza pesquisas epidemiológicas, sociais e antropológicas, privilegiando abordagens estratégicas em saúde. Atua articuladamente com órgão nacionais e internacionais, com instituições do poder público, com movimentos sociais organizados, com outros núcleos de estudo e centros de atenção às vítimas de maus-tratos e violência. Estimula a formação de recursos humanos na área da Violência e Saúde, através de cursos lato e stricto sensu e orienta alunos de graduação, especialização e pós-graduação. Seus pesquisadores possuem trabalhos publicados em revistas de circulação nacional e internacional, livros, teses, relatórios e materiais educativos. e a Prefeitura do campus. Nessa época de fim da ditadura, Arouca promove a volta dos cientistas cassados pelo regime militar e a visita de autoridades estrangeiras, como François Mitterrand e Mario Soares.

A criação de uma unidade dedicada à história da saúde pública era um sonho mantido por alguns pesquisadores da instituição. Em caixotes guardados no sótão da Cavalariça, foram encontrados os registros da construção dos prédios da Fiocruz — mais tarde tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) —, as notas fiscais, as cartas de Oswaldo Cruz para sua esposa (Miloca) e os negativos em lâminas de vidro feitos por J. Pinto, fotógrafo do início do século 20. Diante do conteúdo dessa caixa, encontrada pelo museólogo Luis Fernando Fernandes Ribeiro, em um restaurante localizado em Bonsucesso, Arouca determinou a criação da Casa de Oswaldo Cruz Unidade dedicada à preservação da memória da Fiocruz e às atividades de pesquisa, ensino, documentação e divulgação da história da saúde pública e das ciências biomédicas no Brasil.
A COC desenvolve projetos de pesquisa em história e sociologia da ciência e da cultura; história das políticas públicas, instituições e profissões de saúde; história da medicina e das doenças; e filosofia das ciências da vida e da saúde.
O importante acervo sob a guarda da unidade abriga arquivos institucionais, iconográficos e depoimentos orais e arquivos pessoais de Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Belisário Penna, Walter Oswaldo Cruz e Carlos Chagas Filho.
Criada em 1986, a COC cuida ainda da preservação e restauração do patrimônio arquitetônico da Fiocruz e mantém o Museu da Vida, um vigoroso instrumento de educação, inoculando em seus visitantes o vírus da saúde, da cidadania e da valorização da vida.

Na mesma época foi criada a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV)A criação da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) data de agosto de 1985, inicialmente como Politécnico de Saúde Joaquim Venâncio (PSJV). Naquele momento, os fundadores consideravam que a estruturação de uma Unidade destinada à formação de profissionais de nível médio, especialmente nas áreas de produção tecnológica, pesquisa biológica e serviços de saúde pública, catalisaria o enorme potencial de formação e de difusão científica da Fiocruz. A EPSJV foi a primeira escola politécnica de saúde a ser criada no país. Em 2001, a escola consolida-se como unidade da Fiocruz, com a missão de promover a educação profissional de nível básico e técnico em saúde, prioritariamente para trabalhadores de nível médio do Sistema Único de Saúde (SUS)., voltada para a formação de profissionais de nível médio, e o Centro de Informação Científica e Tecnológica (Cict)A criação do Centro de Informação Científica e Tecnológica (Cict), em 1986, foi uma das iniciativas da Fiocruz para impulsionar sua atuação no campo da informação e comunicação em saúde, estratégico para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira e para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. O Cict participa da formulação de políticas, desenvolve estratégias e executa ações de informação e comunicação no campo da ciência e tecnologia em saúde, visando a identificar e atender as demandas sociais, do Sistema Único de Saúde (SUS) e de órgãos governamentais. É a unidade responsável pela coordenação do sistema de bibliotecas da Fiocruz e realiza atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico, ensino e cooperação técnica voltadas para a produção, tratamento, análise e disseminação da informação, assim como das práticas e políticas de comunicação., com o objetivo de unificar as bibliotecas da instituição e colocar a informação produzida à disposição da sociedade. O campus da Fiocruz também ganhou uma prefeitura, para cuidar da infra-estrutura (água, luz, telefone) e dar um destino final para o lixo.

No dia 5 de agosto de 1986 foi promovida uma solenidade para reintegração dos cientistas cassados pela ditadura militar. No governo de Emílio Médici, ocorreu uma perseguição aos pesquisadores de Manguinhos que culminou, em 1970, na cassação de dez cientistas, evento conhecido como “Massacre de Manguinhos”. Na cerimônia de reintegração, Ulysses Guimarães e Darcy Ribeiro falam da importância da liberdade de pensamento e pesquisa e da relevância histórica desse fato. Arouca foi claro em seu discurso: “Quero ver quem vai cassar de novo esses cientistas”. Referia-se ao fato de que a reintegração se dera antes mesmo do processo legal estar concluído.

O processo de democratização aconteceu de forma natural. A Associação de Servidores virou um espaço de discussão e representatividade dos trabalhadores, que ganharam uma entidade de previdência privada para suplementar os benefícios concedidos pela Previdência Social (FioPrev), um plano de assistência médica (Fio-Saúde), além de maior preocupação com seu bem-estar no trabalho (Fiocruz Saudável). Foram criados conselhos deliberativos nos departamentos, unidades e direção, regimentos e regulamentos internos e eleições internas. Em 1988, foi realizado o 1º Congresso Interno da Fiocruz, hoje o fórum maior da instituição. Arouca deixou o cargo em 1º de abril de 1989.


 

 

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